“O gás não tem mais sotaque.” Foi assim que a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, definiu a importância do Gasene para a flexibilização da malha brasileira de gás natural. Com pouco mais de um mês em operação, o gasoduto rompe a antiga barreira entre os mercados das regiões Sudeste e Nordeste e começa a enviar seu primeiro milhão de metros cúbicos diários do energético para Bahia e Pernambuco, a partir da produção de gás natural do Espírito Santo.
Concluído em março, com a partida da terceira e última fase do projeto – o Gascac, Cacimbas-Catu –, o Gasene abre novos horizontes de escoamento do gás disponível nos campos do Sudeste e hoje não utilizado por falta de demanda. Vale lembrar que, em 2009, ano impactado pelos efeitos da crise mundial, a média de queima de gás no país atingiu o nível recorde de 9,38 milhões de m³/dia. Esse volume é cerca de 50% maior que as vendas médias das distribuidoras nordestinas no mesmo ano, que totalizaram 6,55 milhões de m³/d, e pouco menor que a demanda regional de gás calculada pela Petrobras, de 9,8 milhões de m³/d.
Com o novo duto, o gás natural produzido nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo, assim como o energético importado da Bolívia ou mesmo o regaseificado na Baía de Guanabara, pode chegar aos estados do Nordeste. “O Gasene é um alento às distribuidoras nordestinas, porque nos dá a garantia de suprimento necessária para o desenvolvimento de polos industriais na região”, comenta o diretor-presidente da Potigás, Nelson Freire.
Além de levar a produção do Sudeste para os estados nordestinos, o gasoduto também permite o fluxo contrário. “Se novas descobertas forem feitas no Nordeste, poderão ser escoadas para o Sudeste, porque o Gasene é bidirecional”, explica Marcelo Restum, gerente-geral de Planejamento e Implantação de Logística de Gás Natural da Petrobras, que já anunciou ter encontrado indícios de gás em águas profundas e ultraprofundas da costa nordestina.
